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Técnicas de EstudoAtualizado em 09 de março de 2026

OAB 1ª Fase: todas as disciplinas e como priorizar cada uma

9 min de leituraPor Gustavo Nascimento
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OAB 1ª Fase: todas as disciplinas e como priorizar cada uma
Créditos: Equipe Provattio

Você abriu o edital da OAB, viu "20 disciplinas" e sentiu aquele peso familiar no peito. É muito. A grade inteira do curso de Direito em uma única prova objetiva, com 80 questões, em 5 horas — sem consulta.

A boa notícia é que esse número é enganoso. Na prática, a prova da 1ª fase é muito mais previsível do que parece. A FGV, banca responsável pelo Exame de Ordem, mantém um padrão consistente de cobrança ao longo dos exames: certas disciplinas concentram a maior parte dos pontos, certos temas aparecem repetidamente e quem estuda com estratégia sai na frente de quem tenta abraçar o mundo.

Neste artigo, você vai entender o que é cobrado em cada disciplina, qual é o peso real de cada uma na prova e como montar uma ordem de prioridade que maximize seus pontos sem desperdiçar tempo.


Como funciona a 1ª fase da OAB

Antes de entrar nas disciplinas, vale ter clareza sobre o que está em jogo.

A prova objetiva da OAB é composta por 80 questões de múltipla escolha, distribuídas entre 20 disciplinas jurídicas. Cada questão apresenta quatro alternativas (A, B, C e D), com apenas uma resposta correta. Para avançar à 2ª fase, é necessário acertar ao menos 40 questões — ou seja, 50% da prova.

A prova tem caráter eliminatório e não classificatório dentro da própria 1ª fase: o que importa é atingir os 40 pontos, não a posição no ranking. Isso tem uma implicação direta na estratégia: você não precisa acertar tudo, precisa acertar o suficiente — e fazer isso de forma inteligente.


As 20 disciplinas da 1ª fase

As matérias que compõem a prova da 1ª fase são divididas em três grupos, de acordo com a relevância de cada assunto. Entender essa divisão é o primeiro passo para uma preparação eficiente.

Grupo A — Alta prioridade (maior peso na prova)

Estas disciplinas respondem pela maior parte das questões e devem receber a maior fatia do seu tempo de estudo:

Ética Profissional e Estatuto da Advocacia Ética Profissional representa cerca de 8 questões na prova — o maior custo-benefício do exame. Os temas prioritários são prerrogativas do advogado, honorários e infrações disciplinares. É também a disciplina que mais recompensa quem faz a leitura atenta da lei seca: boa parte das questões cobra literalidade do Código de Ética e Disciplina da OAB. Dominar Ética é começar a prova com um colchão de pontos.

Direito Constitucional Direito Constitucional aparece com cerca de 6 questões, com prioridade para controle de constitucionalidade e remédios constitucionais. Direitos fundamentais e organização dos poderes também são temas frequentes. A Constituição Federal precisa ser lida — não decorada, mas compreendida em sua estrutura e lógica.

Direito Civil Direito Civil soma cerca de 6 questões, com foco em direito das sucessões, contratos em espécie e direito das coisas. É uma das disciplinas mais extensas do curso, então a seletividade no estudo é fundamental: priorize os temas que a FGV demonstrou preferir nos últimos exames.

Direito Processual Civil Com volume expressivo de questões, o Processo Civil cobra especialmente recursos, tutelas provisórias, cumprimento de sentença e procedimentos especiais. É uma disciplina técnica que exige prática com questões para solidificar o raciocínio procedimental.

Direito Penal Direito Penal responde por cerca de 6 questões, com ênfase em teoria do crime e crimes em espécie — especialmente contra o patrimônio e contra a vida. Não ignore essa disciplina: a FGV gosta de questões que exigem aplicação da teoria à situação concreta.

Direito Administrativo Com peso relevante na prova, o Direito Administrativo cobra atos administrativos, poderes da administração, responsabilidade do Estado e licitações. É uma matéria que conecta bem com o Direito Constitucional — estudá-las em conjunto costuma aumentar a eficiência.


Grupo B — Prioridade média-alta

Disciplinas que aparecem com regularidade e não podem ser negligenciadas:

Direito do Trabalho e Processo do Trabalho Direito do Trabalho e Processo do Trabalho somam um número relevante de questões e são fundamentais para um bom desempenho. Os temas mais cobrados incluem contrato de trabalho, jornada, férias, rescisão e as peculiaridades do processo trabalhista.

Direito Processual Penal Intimamente ligado ao Direito Penal, o Processo Penal cobra inquérito policial, ação penal, prisões cautelares e recursos. Estudar as duas matérias de forma integrada é mais eficiente do que tratá-las em silos separados.

Direito Empresarial Sociedades empresárias, títulos de crédito e recuperação judicial são os temas mais frequentes. É uma disciplina com conteúdo extenso, mas cobrada de forma previsível — o que favorece quem investe tempo na leitura dos temas recorrentes.

Direito Tributário Com peso moderado, o Tributário cobra princípios constitucionais tributários, obrigação tributária e as espécies tributárias. A leitura do CTN é indispensável, mas seletiva: foque nos dispositivos mais cobrados.


Grupo C — Prioridade estratégica (menor volume, alto retorno por questão)

Disciplinas com 2 questões cada — como ECA, Direito do Consumidor, Ambiental, Direitos Humanos, Internacional, Filosofia do Direito, Previdenciário, Financeiro e Eleitoral — somam 18 pontos no total.

Individualmente, cada uma representa pouco. Coletivamente, são quase metade do mínimo necessário para a aprovação.

A estratégia correta aqui não é ignorá-las — é estudá-las de forma cirúrgica, focando nos temas que a FGV historicamente cobra. Por exemplo:

  • Direito do Consumidor: responsabilidade pelo fato e vício do produto, práticas abusivas

  • ECA: direitos fundamentais da criança e do adolescente, medidas socioeducativas

  • Direito Ambiental: princípios, responsabilidade ambiental, licenciamento

  • Direito Eleitoral e Financeiro: cobram literalidade da lei — duas a três horas de leitura dirigida já garantem boa performance

Três disciplinas foram incorporadas recentemente à prova: Direito Eleitoral, Direito Financeiro e Direito Previdenciário, elevando o total de 17 para 20 disciplinas. São matérias novas no exame, o que significa menos histórico de cobrança — mas também menos concorrentes preparados.

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A lógica de Pareto aplicada à OAB

O segredo da OAB está na estratégia de Pareto: 80% da prova vem de 20% do conteúdo. Na prática, o Grupo A — Ética, Constitucional, Civil, Processo Civil e Administrativo — concentra a maior pontuação.

Isso não significa abandonar o restante. Significa alocar sua energia de forma proporcional ao retorno em pontos. Um candidato que domina o Grupo A com 70% de acertos já está muito perto dos 40 pontos necessários — e as disciplinas do Grupo C funcionam como complemento estratégico.

O caminho para a aprovação, para a maioria dos candidatos, é:

  1. Solidificar o Grupo A

  2. Ter desempenho consistente no Grupo B

  3. Garantir ao menos 1 ponto em cada disciplina do Grupo C


O que diferencia aprovados de reprovados na 1ª fase

Após analisar o padrão de cobrança da FGV ao longo dos últimos exames, três fatores se destacam entre quem passa e quem não passa:

1. Resolução massiva de questões A OAB não é uma prova de memorização pura — é uma prova de raciocínio aplicado à lei. A banca FGV mantém um padrão claro de cobrança: a prova é previsível, repetitiva e altamente técnica, o que favorece quem estuda com método e resolve questões comentadas sistematicamente. Resolver provas anteriores do Exame de Ordem é a forma mais eficiente de internalizar o raciocínio da banca.

2. Leitura de lei seca nos temas certos O método mais eficiente combina leitura de lei seca, resolução diária de questões e revisões espaçadas. Focar na literalidade da lei cobre cerca de 80% da prova. Para Ética, Constitucional e as disciplinas do Grupo C, a literalidade da lei é especialmente decisiva.

3. Revisão constante Estudar um conteúdo uma vez e nunca mais revisá-lo é garantia de esquecimento. A curva do esquecimento — documentada desde Ebbinghaus no século XIX — mostra que sem reforço, o conhecimento se deteriora rapidamente. Candidatos que revisar sistematicamente retêm muito mais do que aqueles que apenas avançam para novos conteúdos.

No Provattio, o sistema de revisão espaçada baseado no algoritmo SM-2 resolve exatamente esse problema: a plataforma agenda automaticamente cada revisão no momento certo — antes que o conteúdo seja esquecido — sem que você precise controlar isso manualmente. Para uma prova com 20 disciplinas, essa automação faz diferença concreta na performance.

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Como montar seu cronograma por grupo de disciplinas

Com a estrutura de prioridades clara, o cronograma de estudo se organiza naturalmente:

Fase 1 — Construção da base (primeiras semanas) Comece pelas disciplinas do Grupo A, na seguinte ordem recomendada: Ética → Constitucional → Civil → Processo Civil → Penal → Administrativo. Ética primeiro porque é a de maior retorno imediato e aumenta a confiança no início da preparação.

Fase 2 — Expansão (semanas intermediárias) Incorpore o Grupo B sem abandonar a revisão do Grupo A. Nesta fase, o equilíbrio entre conteúdo novo e revisão é crítico.

Fase 3 — Cobertura e simulados (semanas finais) Cubra as disciplinas do Grupo C com estudo cirúrgico. Faça simulados completos cronometrados para treinar resistência e gestão de tempo. Nas últimas semanas, a revisão deve dominar sobre o conteúdo novo.

O Provattio permite visualizar esse cronograma em formato Kanban — com cada disciplina em sua fase de preparação (a estudar, em andamento, revisando, dominada) — e usa sprints semanais para garantir que o ritmo seja mantido sem sobrecarga.


2ª fase: o que muda na lógica de estudo

Quem passa da 1ª fase enfrenta uma prova completamente diferente: a 2ª fase é uma prova prático-profissional, composta por 4 questões discursivas e uma peça processual. Nessa etapa, o desafio é demonstrar não só o conhecimento teórico, mas também a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma prática — e o candidato escolhe a área de sua especialidade.

A estratégia de estudo para a 2ª fase é completamente diferente da 1ª: profundidade sobre amplitude, prática de peças processuais, domínio da técnica jurídica na área escolhida. Mas esse é assunto para um guia específico — o que importa agora é chegar lá.


Conclusão: conhecer o jogo é vantagem

A 1ª fase da OAB é um exame previsível. A FGV não inventa: ela cobra os mesmos temas, nos mesmos formatos, com a mesma lógica há anos. Quem entende essa previsibilidade e estuda com estratégia — priorizando as disciplinas certas, revisando com consistência e treinando com questões — chega à prova em posição muito mais confortável do que quem tenta cobrir o edital de ponta a ponta sem método.

80% reprovam no Exame de Ordem. Mas quase sempre não é por falta de conhecimento — é por falta de estratégia.

O Provattio foi construído para bacharéis que levam a aprovação na OAB a sério. Com revisão espaçada automática, Kanban de disciplinas, sprints semanais e acompanhamento de Scrum Master especializado em carreiras jurídicas, você tem um sistema completo — do planejamento até a reta final.

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Fonte: conteúdo programático baseado nos editais do Exame de Ordem (FGV/OAB) e no histórico de cobrança das edições recentes. Consulte sempre o edital oficial do exame para o qual está se inscrevendo.

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Sobre o autor

Gustavo Nascimento

Gustavo Nascimento

Matemático, Engenheiro de software e graduando em Direito. Pós graduado em Direito Constitucional, Direito Administrativo e Finanças Públicas. Entusiasta de metodologias ágeis aplicadas à educação.

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